PREFÁCIO do livro "MEMÓRIA ACADÊMICA"
de LEIDE CÂMARA
A Academia Norte-rio-grandense de
Letras de nobres ancestrais faz parte da minha vida. A ela dedico meu tempo,
meu entusiasmo, meu estímulo para as grandes causas do espírito. Por isso o
louvor ao mais recente trabalho da pesquisadora musical Leide Câmara. É
singular, no Brasil, a sua pesquisa sobre a música no Rio Grande do Norte.
Autora de livros como “A Bossa Nova de Hianto de Almeida” e “Luiz Gonzaga e a
Música Potiguar”. Agora ela se dedica à Academia Norte-rio-grandense de Letras.
Neste trabalho, ela se inscreve entre os renomados historiadores da Academia,
como Veríssimo de Melo com “Patronos e Acadêmicos”, João Medeiros Filho com
“Contribuição à História do Rio Grande do Norte” e Armando Negreiros com seu
livro Na Companhia dos Imortais, sobre a Academia. Há também ensaios
importantíssimos sobre à Academia de autoria de Câmara Cascudo, Manuel
Rodrigues de Melo, Dom Nivaldo Monte, Paulo Pinheiro de Viveiros, entre outros.
A grande função das Academias de
Letras é atrair pessoas para as grandes causas do espírito humano. Os
acadêmicos são chamados de imortais porque são sempre relembrados. Cada
sucessor lembra seu antecessor. Há uma tendência da responsabilidade quanto ao
merecimento de ser sucessor. No Rio Grande do Norte, terra de gigantes, a nossa
responsabilidade é grande.
Sociedade civil, de fins culturais,
com foro e sede na capital potiguar, a Academia Norte-rio-grandense de Letras é
voltada para a luz. O lema, a divisa,
“AD LUCEM VERSUS”, é da autoria do padre Luiz Monte. Fundada em 1936 por Luís
da Câmara Cascudo, foi fecundada pelo seu entusiasmo e é obra de arquitetura do
espírito, moldada por seu Mestre.
As atividades dos seus membros e o
amor incondicional à cultura têm crônica pitoresca, ao lado das realizações
estruturais. São quarenta mulheres e homens notáveis, de boa vontade, que
prestam serviços ao Rio Grande do Norte, valorizando e mantendo nossa herança
cultural. O primeiro presidente, Henrique Castriciano.
A sociedade potiguar reconhece e
confia na Academia Norte-rio-grandense de Letras. O nosso modelo mais próximo é
a Academia Brasileira, o mais distante, a Academia Francesa, fundada em 1635
pelo cardinal-duc de Richelieu, sob o
reinado de Luís XIII. Ambas não tiveram patrono feminino nem mulheres acadêmicas.
Diferentemente das matrizes, a nossa
Academia contou, desde a sua inauguração, com a participação feminina. Três
mulheres no seu patronato, Nísia Floresta, Isabel Gondim e Auta de Souza, e
duas acadêmicas, as poetisas Palmyra e Carolina Wanderley.
Temos um programa pioneiro no país, a
Academia para Jovens, onde alunos e professores dos colégios do Estado e do
Município, públicos ou privados, são recebidos, e recebem livros, e revistas, e
sorrisos... E discutem de igual para
igual com o grupo de acadêmicos sobre o significado e a finalidade da cultura e
da educação. Ao final, sugerimos a criação de uma Academia de Jovens em seus
próprios colégios. Para nossa alegria, muitas já bem funcionam. E com louvor.
A nossa Revista registra o pensamento
acadêmico, em publicações que atravessam décadas e renascem a cada leitura.
Desde a sua fundação, a Academia
Norte-rio-grandense de Letras ilumina os legítimos movimentos culturais do
Estado. Volta-se para a luz. A sua vitalidade é visível. Aos 80 anos é uma menina
nos feitos, nas aventuras, na disposição, nos trabalhos que desempenha.
Este livro-revista documenta
cronologicamente a vida da Academia. É um precioso repositório sobre riqueza da
vida da instituição. Leide Câmara conseguiu fazer a síntese da vitalidade
acadêmica em seus 80 anos.
Diogenes da
Cunha Lima
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