segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

MICROCONTOS DE DCL - 02




A NUVEM

O menino costumava ver perfeitos animais nas nuvens. Um gato, um cachorro, um elefante. Uma tarde, percebeu um leão. O bicho rugiu com natural ferocidade. O menino deixou de olhar para o céu.





OTIMISMO







quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

DIREITO EM DIA: SÉRGIO MORO




O PACOTE ANTICRIME DE MORO


A proposta do ministro da Justiça Sérgio Moro visa combater radicalmente a insegurança e a corrupção. As medidas propostas abrangem o Código Penal, a Lei de Execução Penal, a Lei de Crimes Hediondos e a Legislação Eleitoral. Entre outras coisas, criminaliza o Caixa 2, amplia um conceito de organização criminosa para milícia, determina a prisão com julgamento da segunda instância, hoje objeto de controvérsias. São polêmicas as alterações do tribunal do júri que manda imediatamente para a prisão os homicidas reconhecidos e sobretudo o texto referente aos policiais, que a oposição ingrata chama de “licença para matar”.

COMENTÁRIO

A crise no Brasil exige medidas enérgicas e não paliativas. Não dá para esperar o ideal, com longa discussão para o Código Penal etc. A sociedade exige medidas rápidas e eficazes. Muito difícil redigir um texto para estimular um policial a cumprir sua missão. A forma sugerida possibilita a oposição criticar, mas em verdade, amplia-se a legítima defesa para possibilitar ao agente da lei reagir a agressão fortemente sem ser penalizado. A redação peca pelo subjetivo, considerando que o juiz pode descriminalizar quando o policial tem medo desculpável, surpresa ou violenta emoção. O júri é discutível. Fui advogado de júri durante muitos anos e sei que os jurados costumam “julgar” mais o advogado do que o réu. Um bom advogado absolve, um fraco condena. Diferentemente dois tribunais.




MICROCONTOS DE DCL - 01




TECITURA 

Em nossa galáxia, a branca aranha cósmica tece o tempo.






TRISTE FIM DA POETA DO MAR




Zila Mamede é das mais importantes poetas do Brasil. A sua perfeição poética, de forma e invenção, não é menor do que a de Cecília Meireles, Adélia Prado ou Hilda Hilst. Os seus poemas foram elaborados com engenho e arte. Contudo, não ganhou fama nacional, ainda que reconhecida e altamente admirada por nossos grandes poetas. Entre eles estão: Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto, Geir Campos e Carlos Nejar. Para definir a excelência de sua atuação, podemos parodiar Camões: “Não lhe faltou na vida honesto estudo, com longa experiência misturada, nem engenho e arte que ali vereis presente, cousas que juntas se acham raramente”.

Zila foi ícone da biblioteconomia, proclamou Edson Nery da Fonseca. Ela conferiu dignidade à atividade pelo rigor científico no exercício profissional da difusão, qualidade advinda do seu seletivo conhecimento literário. Como bibliotecária, orientava as colegas e os leitores. Quando dirigia a biblioteca do Atheneu Norte-rio-grandense, perguntei-lhe o que deveria ler de bom para a minha formação literária. Respondeu: Machado de Assis. Qual livro? Todos. Li, um por um, a coleção de trinta e um volumes. Até hoje é, para mim, prazer da lembrança e referência básica.

A ela devemos a organização da Biblioteca Central da Universidade Federal, que hoje tem o seu nome, e a estadual Câmara Cascudo, infelizmente paralisada.
Na praia do Pina, no Recife, viu o mar pela primeira vez. Teve a sensação de que o mar iria virar, emborcar e a engolir. E tinha razão no pressentimento.

Chamou de “Navegos” a reunião, verdadeiramente antológica, dos seus poemas com muitas poéticas marinhas.

Devota de Santa Luzia, no dia a ela consagrado, em um 13 de dezembro, saiu da sua residência no edifício coincidentemente chamado “Caminho do Mar” para ir à praia do Forte. Não se sabe como, mas seu corpo navegou por sobre os arrecifes, atravessou o Potengi e aportou na praia da Redinha. O mar que fora o seu mais sensível tema, foi para ela arrebatamento, fascinação, fantasia, êxtase.

O corpo intacto, identificado por amigos, entre os quais a escritora Eulália Duarte Barros, estava coberto de sargaço. No seu poema “Mar Morto” está: “Parado, morto mar da minha infância / sem sombras e nem lembranças e sargaços” e ainda: “Num mar sem brilho, vago, indefinido / onde não há nem sonhos navegando”.

Já em “Canção do Afogado”, ela arremata: “Cabelos de musgos / lavados de espumas / caminha o afogado / que o mar conquistou”.

Sanderson Negreiros disse que Zila ensinou-lhe poesia. Também a nós que, chorando, conduzimos o seu caixão no cemitério do Alecrim. Estavam comigo Luís Carlos Guimarães, Dorian Gray e Pedro Coelho, os quatro por ela apaixonados. Relembramos o seu soneto “Mãos Aquáticas”: “Nuvens sugerindo naus costeiras / em rumos disfarçados por velório”.

Zila não gostava de dizer-se poetisa. Poderia dizer, com Cecília que cantou porque o instante existe e a sua vida estava completa: foi Poeta.

A obra da Poeta do Mar não é transmitida e nem estudada nas escolas, não ganhou a merecida dimensão nacional. Mas, não pode ser esquecida neste Rio Grande, estado em que desejava ter nascido e ao qual legou o melhor da sua organização literária e a sua criatividade poética.
        

DIOGENES DA CUNHA LIMA






DCL NA ANRL

Antonio Gentil e Diogenes da Cunha Lima

Marcelo Navarro e Diogenes da Cunha Lima


DCL em evento na Academia Norte-rio-grandense de Letras
Janeiro de 2019