segunda-feira, 17 de outubro de 2016

OS NOIVOS CHINESES NA CIDADE DO AMOR



Com o aumento do poder aquisitivo, muitos jovens chineses estão indo para Paris para realizar uma tradição nacional – a de tirar fotos com antecedência para serem exibidas no dia do matrimônio. A indústria em volta da tendência está apostando na reputação de cidade romântica da capital francesa. Casais chineses em trajes de casamento se tornaram bastante comuns nos arredores da Torre Eiffel, da Catedral de Notre Dame e nas pontes ao l ongo do rio Sena, tornando-se quase uma atração turística em si.



quarta-feira, 12 de outubro de 2016

SOMENTE A VERDADE





Se você ainda não leu José Paulo Cavalcanti, não sabe o que está perdendo. Em prosa ou em verso, ele atua como propulsor de energia espiritual.
            
É preciso valorizarmos os bons autores contemporâneos, principalmente os da nossa região, pois, na ligeireza da época, vence a cultura da vulgaridade, massificada incultura faz valer essa subliteratura.

Se Deus quiser, José Paulo e sua admirável Letícia (ambos da Academia Pernambucana de Letras) receberão, no dia 14 de novembro, o título de Sócio de Honra da nossa Academia, outorgado em Assembleia Geral. A distinção será entregue na sessão solene comemorativa dos 80 anos da instituição.

O escritor e jurista J.P.C (F) com o seu filho completam a terceira geração de advogados que visam à essência da justiça, comprometidos com a ética. Os dois estudaram na Universidade de Harvard, Sérgio fez especialização em cyberlaw. Lembram Carnelutti: “vamos dizer as coisas como as coisas são. Quase igual é o mesmo que diferente”.

Otimista ameno, a vida de J.P.C. é de conquistas. O ex-ministro da Justiça é consultor da Unesco e do Banco Mundial. Integrou a famosa Comissão da Verdade. Dizem as boas línguas que ele, convidado pelo Presidente da República, escapou de ser ministro do Supremo Tribunal Federal. Dizem as más línguas que ele mandou fazer a roupa da posse, mas foi preterido por exigência demagógica. Não tem um claro pré-requisito de nascença.

Com Fernando Pessoa, “Uma Quase Autobiografia”, Livro do Ano da Academia Brasileira de Letras, obteve disputados prêmios, entre os quais o Jabuti. O livrão, mais de 700 páginas, parece ter sido psicografado por novo heterônimo do poeta. Publicado em Portugal, já é um clássico também no Brasil.

Por último, publica “So Mente a Verdade, que vai virar seriado da Globo e está traduzido em várias línguas. São 21 contos, composição que homenageia Neruda, lembrando “Vinte Poemas de amor e uma canção desesperada”. Lendo, você vai encontrar muito amor e pouco desespero, e tudo o que foi prometido, ou seja, mistério, misérias, o inesperado, o trágico, o sublime, sobretudo você vai experimentar o espanto. Convivências do bom humor como antídoto das fundas tristezas, incontidas emoções, desconsolo que não chega à desesperança, mas à final exultação.

Os relatos não guardam a tradicional estrutura dos contos. Em conteúdo e forma, Zé Paulo renova, moderniza, inova. Por exemplo, coloca o pico emotivo não no final, mas no meio do conto. Veste a real idade observada, como Consultor, com leveza literária, faz do episódio parceiro da imaginação. Arranca personagens da beira do abismo, ou mesmo, alguns que habitam o abismo.

É possível sentir o sorriso trágico que eleva o sofrimento integrado à apologia do ser humano. Por vezes, põe dúvida nos acontecimentos, deixando que o leitor decida. Porque se trata de A Verdade Mente So Mente Aparentemente.

Ninguém pode mudar uma vírgula do texto, até porque o autor não gosta de vírgulas. Inova colocando-as, adequadamente, depois do ponto de interrogação: de fato, onde termina a pergunta. O escritor prefere o ponto para afastar ambiguidades, dar relevo à frase, fluidez e ritmo marcantes.

Esses contos são novelas ou romances in fieri. Lá estão os elementos sugestivos das longas ficções. Na economia verbal, iluminam nossas perplexidades, devolvem a visão do trágico cotidiano, com lições que nos podem exaltar. Afinal de contas, importa celebrar, permanentemente, a gloriosa epifania da existência.

Por outro lado, os gregos antigos amavam o teatro, as tragédias e se edificavam.

Shakespeare põe na boca de personagem em “Trabalhos de Amor Perdidos”: “vive vida longa quem tem o coração leve”. É com essa leveza que o contista, como consultor jurídico, observa a vida. Distingue de uns o pensamento dominante, os que buscam tranquilizar a consciência, os que agem não pelo que aparentam mais por inconfessada razão, as surpresas do comportamento humano.

Para tanto, o autor usa a gostosa linguagem nordestina. Assim, leitor, você fará breve hospedagem literária em casa pernambucana e verá na sala, flores num jarro, mais, na mesa pé de moleque, bolo de rolo e queijo de coalho.

Como tudo acaba, o final do livro é pura memória, sem imaginações: Uma canção desesperada, pela saudade: morte do amigo.





segunda-feira, 10 de outubro de 2016

FRASE DO DIA



A vida só é possível reinventada.

CECÍLIA MEIRELES




SESSÃO IN MEMORIAM




O presidente, em exercício, da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras - ANRL, Paulo Macedo,  convida Vossa Excelência e Excelentíssima Família, para a Sessão in memoriam do imortal FRANCISCO FAUSTO, último ocupante da cadeira 15, que tem como Patrono Pedro Velho, Fundador Sebastião Fernandes, primeiro sucessor Antônio Pinto, segundo sucessor Eloy de Souza, terceiro sucessor Umberto Peregrino e quarto sucessor Francisco Fausto.

Necrológio – A Oração de Louvor ao imortal homenageado será proferida pelo Acadêmico Armando Negreiros.                           
Data: 11 de outubro de 2016 (terça-feira)
Horário: 17 horas
Local:  Academia Norte-Rio-Grandense de Letras – Térreo.



sexta-feira, 7 de outubro de 2016

REVISTA DA ACADEMIA - DOSSIÊ HÉLIO GALVÃO




A Revista da Academia é uma publicação trimestral da ANRL, distribuída gratuitamente. Na direção, Manoel Onofre Jr.; editoria, Thiago Gonzaga. A nova edição, de número 48, será lançada no próximo dia 11, terça-feira, às 18h, na Academia Norte-rio-grandense de Letras.

Desta vez, a revista apresenta um dossiê especial sobre o centenário do historiador, escritor e acadêmico potiguar Hélio Galvão. Entre os autores de artigos que integram a publicação, Vicente Serejo, Iaperi Araújo, padre João Medeiros Filho e o próprio Hélio Galvão.

“O tempo faz crescer os grandes escritores. A obra de Hélio Galvão é cada vez mais compreendida e admirada”, disse Diogenes da Cunha Lima, presidente da ANRL.

A edição é também composta por ensaios e artigos que abrangem os mais diversos temas relacionados à literatura, escritos por Nelson Patriota, Ângela Almeida, Thiago Gonzaga, Francisco Martins etc. 

Outros destaques são as crônicas e poemas de Diogenes da Cunha Lima, Lívio Oliveira, entre outros, e os discursos de posse dos novos acadêmicos Jarbas Martins e Cassiano Arruda Câmara.




PROFESSOR DIOGENES – O MESTRE DOS HAICAIS




O VIAJANTE

Imóvel num charco
Ama o mar
E seus barcos.


O CLARÃO

Noite ao relento
Uma lua flutua
No pensamento.


DESEJO

A vida repete o tema
Somos só o sonho
Que podia ser poema.


DIFERENTE VISÃO

para Antonio Nahud

Eu juro, no duro
Poeta é profeta
Que vê no escuro.


À SCHILLER

A tristeza, vadia,
Ouve Beethoven

Em “Hino à Alegria”.




A MURALHA E OS LIVROS







Os livros, papiros, pergaminhos, escritos do passado são testemunhos da memória coletiva e, como tal, de uso comum, patrimônio cultural da humanidade. A sua supressão deve ser julgada como crime contra a humanidade.

Muro, na realidade ou na ficção literária, é isolamento, separação, desmembramento, sugere desavença, serve à morte, lembra o triunfo da morte.

Jorge Luís Borges nos conta, com o título deste artigo, a história do imperador (Qin) Shi Huangti que, em 220 a.C. mandou construir a Muralha da China e queimar todos os livros que existiam antes do seu governo. O baluarte era apenas uma demonstração de poder, desnecessário porque a China não tinha então inimigos poderosos. A lembrança do texto borgeano veio da declaração feita pelo candidato republicano à Presidência dos EUA, segundo o qual, se eleito, irá mandar fazer um muro na fronteira com o México. A linha fronteiriça, de San Diego a Brownsville, mede 3.141 quilômetros. A nova muralha atravessaria altitudes e depressões, rios e desertos.

Parece que o magnata ilusionista e autoiludido quer o isolamento, o império americano, visualizado com o país vizinho. Sentir-se-ia ele capaz de, em tudo, imitar o imperador chinês? A tendência da globalização não são as construções digitais? À época, a Grande Muralha tinha cerca de 3 mil quilômetros. Hoje é atração turística, continua a não servir de defesa.

Dois muros deixaram triste memória no século vinte El Paredón cubano, onde foram fuzilados milhares de adversários políticos, mais famoso ainda é o Muro de Berlin. A União Soviética desejava impedir evasão para o mundo capitalista. Nas tentativas de fuga, centenas de mortos e feridos, mas valeu para a conquista da liberdade. O “Muro da Vergonha” durou 28 anos até ser destruído em 1983.

Potiguares, temos também lembranças desse muro. Fizemos pequeno curso de administração em Berlim e quisemos conhecer o outro lado. Mesmo em rápida visita, lá pude notar o ar severo e contraído das pessoas, comparadas à descontração e bom humor dos outros alemães. Na volta tivemos dois episódios de tensão: sisudez e gentileza. O ônibus de turistas fica detido entre a barreira de alvenaria e a cerca de arame farpado. Cães pastores amestrados farejam. Guardas com eloquentes metralhadoras sobem ao veículo. Um dos militares, branquíssimo, examina os passaportes, confere dados, a cara com o retrato. Um vizinho, nordestino, vasculha os bolsos e demora a encontrar o documento. O guarda, impaciente, fala alto, rascante, gesticula. Fazendo graça, o pernambucano responde: “calma chupareia! Calminha aí, chupareia!”. De medo, engoli o sorriso, enquanto era feita a identificação.

Na volta à Berlim sitiada, o meu amigo Genibaldo Barros angustiou-se: havia perdido o passaporte. O ônibus ficou parado na fronteira pela solidariedade dos companheiros de viagem, menos um que exigia a imediata liberação. A aflição aumentando, de súbito, chega correndo uma moto e um gentil guarda devolve a identidade encontrada. Alívio e aplausos.

Em Berlim, restava a lembrança de que os líderes nazistas fizeram fogueiras de livros. Borges ironiza: “Queimar livros e erigir fortificações é tarefa comum dos príncipes” e, referindo-se ao antigo império: “Talvez a muralha fosse uma metáfora...” uma obra tão torpe e tão inútil.

O último republicano presidente dos EUA, George W. Bush, inventou uma guerra contra o Iraque por imaginar que o ditador Sadan Hussein poderia chegar a ter bombas atômicas. Como todas elas, a guerra foi uma tragédia que continua. No plano cultural, a Unesco comprovou que a Biblioteca Nacional de Bagdá sofreu destruidores ataques de bomba e mísseis, tablita das vitrines desapareceram.

A inquisição, em nome de Deus, queimou livros preciosos.

O Reino Unido está fazendo em Calais, na França, um muro para conter refugiados emigrantes pelo Canal da Mancha.

Consideremos, pois, a que pode levar a agressividade e a imaginação de um chefe da mais poderosa nação do planeta. Ser ou não ser, é a questão.

Vivemos o processo da quarta Revolução Industrial, caracterizada pela mobilidade e conectividade, o que indica parcerias, uma coexistência mais alta e fraterna.

Diferentes somos todos, mas também todos somos um, a raça humana, que deseja mais livros e menos muros.


 Diogenes da Cunha Lima