terça-feira, 12 de junho de 2018
sexta-feira, 8 de junho de 2018
ORA (DIREIS) UM POETA FESCENINO?
Mais um
potiguar esquecido, Abner de Brito.
ENTERRO DO PECADO
Baixa esta luz,
impávida, imprudente,
Que no papel da alcova
nos retrata.
Não vês que o
candelabro de ouro e prata
Está nos fitando escandalosamente?
Deixa o teu vulto
esparso, alvo e dormente
Tremer de frio, ó
juriti da mata.
Pois vou fazer dos
beijos a sonata,
Em que te hás de
embalar gostosamente.
Assim, assim, despe o
vestido branco,
Põe todo nu teu morno
seio franco
Como este leito branco
e perfumado.
Abre os teus braços, mata-me
desperto,
Se tens no corpo um
cemitério aberto,
Vamos fazer o enterro
do pecado...
FAZENDO VERSOS
Fazendo
versos, meu primo-irmão, Ronaldo Cunha Lima, ganhou funções de vereador,
deputado estadual, federal, senador e governador do estado. Para ajudar na
alimentação familiar, dez irmãos órfãos, foi jornaleiro aos 8 anos e garçom aos
12. Além disso, foii boêmio a vida toda, conquistador de mulheres. Dois tercetos dele:
Meus sonhos infantis
não foram belos,
Eu não pude sequer
fazer castelos
Porque no meu quintal
faltava areia.
Outro:
Acho natural o seu
recado.
Já que você quer me
deixar de lado,
Pode escolher o lado
que quiser.
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