terça-feira, 7 de dezembro de 2021

HORÁRIO DE TRABALHO

 

HORÁRIO de TRABALHO
 
Depois da treze poderei sofrer:
antes, não.
Tenho os papéis, tenho os telefonemas,
tenho as obrigações, à hora-certa.
 
Depois irei almoçar vagamente
para sobreviver,
para aguentar o sofrimento.
 
Então, depois das treze, todos os deveres cumpridos,
disporei o material da dor
com a ordem necessária
 
para prestar atenção a cada elemento:
acomodarei no coração meus antigos punhais,
distribuirei minhas cotas de lágrimas.
 
Terminado esse compromisso,
voltarei ao trabalho habitual.


CECÍLIA MEIRELLES




segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

MORRE O ESCRITOR ASSIS BRASIL


 

Assis Brasil nasceu em Parnaíba, Piauí, em 1929. Sua atividade literária abarcou diversos lugares da criação e começa com a viva atuação na imprensa brasileira; escreveu para o “Jornal do Brasil”, “Correio da manhã” e “O Globo”. Deixou uma vasta obra, entre contos, novelas e romances. Escreveu ainda importantes textos de crítica literária sobre William Faulkner, Graciliano Ramos, Adonias Filho, Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, James Joyce, Mário Faustino, Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto entre outros. Destacam-se ainda ensaios de reflexão teórica sobre a poesia, o conto e a crítica literária, além das várias antologias que mapearam muito da poesia brasileira do século XX — um trabalho que começa em 1994 com a poesia piauiense, passa pelas poesias maranhense, cearense, amazonense, fluminense, mineira, sergipana, espírito-santense, norte-rio-grandense, goiana e estende até 1999 com uma antologia de poesia baiana. Seus trabalhos mais recentes na criação literária foram “A cura pela vida ou a face obscura de Allan Poe” (romance, 2010), “A vida não é real” (reunião de sua contística, 2009), “O sol crucificado” (novelas, 1998) e “Paraguaçu e Caramuru: paixão e morte da nação Tupinambá” (romance, 1995). Em 2004 recebeu pelo conjunto da obra o Prêmio Machado de Assis. Assis Brasil morreu a 28 de novembro de 2021, em Teresina.




EXÍLIO

 


EXÍLIO
 
Espero tecendo os dias
Imagino e contemplo.
 
Num país sem flores onde o mar não é mar
E enigma são os navios.
Eu não entendo o sentido das velas
Tenho fome e sede de horizonte frios.       
 

SOPHIA de MELLO BREYNER ANDRESEN




O BRASIL NO AR


 



HORTO - POEMAS DE AUTA DE SOUZA

 


sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

GAUDÊNCIO TORQUATO NA ANRL

 

O jornalista, escritor, professor e colunista potiguar Gaudêncio Torquato será oficialmente empossado como membro da Academia Norte-Riograndense de Letras. A sessão solene de posse é nesta quinta-feira, às 17h, na sede da instituição, e também com transmissão pelo canal Direito e Cultura no Youtube. Gaudêncio ocupará a cadeira oito, que pertenceu a Nelson Patriota, e tem Isabel Gondim como patrona.

O novo imortal construiu uma sólida carreira como jornalista de projeção nacional no Sudeste do país. Mora há 54 anos em São Paulo. ressaltou à TRIBUNA DO NORTE, por ocasião de sua eleição, em abril, que pretende contribuir com o fomento ao debate e também com mais visibilidade nacional à academia potiguar. “Tentarei dar minha contribuição ajudando a fomentar o debate, participando dos eventos da casa, e colaborando com o esforço do presidente Diógenes da Cunha Lima no sentido de prover condições para melhor desempenho de suas atividades, como melhorar o espaço para a biblioteca e, claro, elevar o nome e o conceito da ANRL na esfera nacional”, disse.

O jornalista nasceu em Luís Gomes, município da região do alto oeste potiguar, a 446 km de Natal. Apesar de ter vários políticos na família, preferiu sair em busca das redações. Gaudêncio considera que em 1965 teve o momento definidor de sua carreira: o estágio na sucursal nordestina do Jornal do Brasil, em Recife (PE). Em 1966, aos 21 anos, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo pela série de reportagens “Barriga d’água - A doença que mata na cura”, veiculada no Jornal do Comércio.

Trocou Pernambuco por São Paulo em 1967. No mesmo ano ele foi convidado pelo jornal Folha de São Paulo para produzir suplementos especiais. Junto com alguns sócios, Gaudêncio fundou a empresa Programação e Assessoria Editorial (Proal), escreveu o primeiro artigo sobre jornalismo empresarial do país. O potiguar ajudou a criar as bases das comunicações organizacional e política no Brasil.

Além de informar, Gaudêncio Torquato também ensinou. Em 1968, aos 22 anos, já ensinava na Faculdade de Jornalismo (depois Faculdade de Comunicação) Casper Líbero, então, a mais tradicional de São Paulo. No ano seguinte, através de concurso, entrou na USP como docente, onde fez carreira universitária com doutoramento, livre docência, titularidade (catedrático), teses e pesquisas. Atualmente ele pode ser lido no site Migalhas, onde escreve a coluna “Porandubas Políticas”.



JOSÉ PAULO CAVALCANTI NA ABL

 


A Academia Brasileira de Letras (ABL) elege o romancista e advogado José Paulo Cavalcanti como novo ocupante da cadeira 39 do quadro de membros efetivos. A cadeira era ocupada pelo acadêmico e vice-presidente da República nos dois governos de Fernando Henrique Cardoso, Marco Maciel, falecido no dia 12 de junho deste ano. Dos 34 participantes da votação, recebeu 21 votos. Concorreram com ele: Ricardo Cavaliere, Godofredo de Oliveira Neto, Luiz Coronel, Camilo Martins e Leandro Gouveia.
 
Os ocupantes anteriores da cadeira 39 foram foram Oliveira Lima (fundador) – que escolheu como patrono Francisco Adolfo de Varnhagen –, Alberto de Faria, Rocha Pombo, Rodolfo Garcia, Elmano Cardim, Otto Lara Resende e Roberto Marinho.
 
O presidente da ABL, Marco Lucchesi, ressalta que Cavalcanti é um renomado estudioso de Fernando Pessoa, tão íntimo e intenso, como se fosse parente espiritual do poeta. "Ensaísta e pesquisador refinado, a biografia que ele redigiu sobre Pessoa circula nos quatro cantos da Terra. José Paulo entra para a ABL com o passaporte da literatura. Ou talvez com mais de um documento, se considerarmos os heterônimos de pessoa, que assombram e iluminam o novo acadêmico eleito”, declarou..
 
José Paulo Cavalcanti Filho nasceu no Recife no dia 21 de maio de 1948. É advogado formado pela Faculdade de Direito do Recife (1971). Foi secretário-geral do Ministério da Justiça e ministro interino da Justiça no governo do ex-presidente José Sarney e também presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), da EBN (depois Empresa Brasil de Comunicação- EBC), e do Conselho de Comunicação Social (órgão do Congresso Nacional). Consultor da Unesco e do Banco Mundial, ocupa atualmente a cadeira 27 da Academia Pernambucana de Letras.
 
Cavalcanti Filho é romancista e tem mais de 18 títulos escritos, alguns publicados no exterior. Também é um conhecedor profundo da obra do escritor português Fernando Pessoa. Em 2012, conquistou o prêmio José Ermírio de Moraes, pelo livro Fernando Pessoa – uma quase autobiografia. Também conquistou o primeiro lugar na Bienal do Livro e no Prêmio Jabuti. É vencedor do Prêmio II Molinello, na Itália. Recebeu, ainda, premiações em países como Romênia, Israel, Espanha, França, Holanda, Alemanha, Rússia, Inglaterra e Estados Unidos.