quarta-feira, 5 de abril de 2017

ESCRITOR ENGAJADO E ATUAL




A arte de Antonio Callado é uma reflexão poderosa sobre a violência que constitui a civilização brasileira. Escritor, jornalista e dramaturgo, o carioca foi autor de grandes reportagens sobre o Nordeste e o Xingu. Em 1968, cobriu a Guerra do Vietnã.

Ele nasceu há 100 anos, e passaram 20 anos da sua morte. Considero “Reflexos do Baile” (1976) seu melhor livro. O romance mais famoso, “Quarup” (1967), conta a história de um padre que sonha com uma sociedade igualitária.

Callado chegou a ser preso duas vezes pelos militares. Ele revela em sua literatura seu compromisso político, principalmente naquele que muitos consideram o romance mais engajado daquelas décadas, “Quarup”.

Nos deixou uma obra sólida e da melhor qualidade, ambicionando interpretar profundamente o Brasil.




REVISTA DA ACADEMIA 50





EDIÇÃO ESPECIAL
DORIAN GRAY CALDAS





terça-feira, 4 de abril de 2017

A FELICIDADE DE UM POVO




Segundo “Estudo Mundial sobre a Felicidade”, da agencia DPA, apresentado esta semana em Nova Iorque, a felicidade de um povo depende de uma série de fatores. E pontuou: economia, riquezas, governos eficientes, sentido comunitário, honestidade, saúde, percepção da liberdade e expectativa de vida.

A partir daí foi feito um levantamento das nações “mais felizes”. Dois países nórdicos ocupam as primeiras colocações: Noruega e Dinamarca. Seguem-se Islândia, Suíça, Holanda e Canadá. Surpreendendo, Alemanha, 16º. Da América do Sul, o Chile em 20º. O Brasil? 22º colocado.

A pesquisa foi feita entre 2014-2016.




FRASE DO DIA





A dor passa, a beleza permanece.

PIERRE-AUGUSTE RENOIR





segunda-feira, 3 de abril de 2017

PAUSA PARA A POESIA





No auditório do colégio Marista, semana passada, Diogenes da Cunha Lima foi homenageado no evento anual "Uma Pausa para a Poesia". Também foram lembrados Dorian Gray Caldas, Newton Navarro e Carlos Drummond de Andrade. 















SAUDAÇÃO A DORIAN GRAY CALDAS




SAUDAÇÃO DE DIOGENES DA CUNHA LIMA 
AO ACADÊMICO DORIAN GRAY

26 de setembro de1986



Permitam-me, senhoras e senhores, misturar as tintas para matizar esta noite de azul. Falo sobre e ao lado de quem vive a arte como ofício.

Os serviços são ofícios, humildes ou nobres, mas ofícios. Cada vez mais a ciência e a tecnologia são apropriadas, e são ofícios. Mas a arte, pura, inteligente, e até mesmo erudita, em nosso meio, resiste em ser lazer, entretenimento hora do nada-mais-importante-a-fazer. A arte é o ofício nobre quando vivida com intensidade e ternura como acontece com Dorian Gray. Dorian Gray Caldas teve Eloi como pai, cedo perdido, e a quem diria em poema:


Teu filho aprende
O difícil ofício
Dos adultos.

Foi difícil, mas aprendeu. É adulto no viver da arte e na arte de viver. O nome da mãe, Ninfa, já lhe testemunha a destinação poética. Entra na Academia quando faz o Jubileu de Prata da sua poesia publicada. O livro é “Os Instrumentos do Sonho”, 1961. Faz também poesia plástica em tapetes, é pintor, escultor, ceramista e gravador. Todos os dias Dorian inova, cria, recria, produz beleza porque este é o seu ofício.

Não posso ver Dorian sem me lembrar de azuis e de marinhas. O mar e o azul estão nas suas retinas, nos esconderijos do seu cérebro e são despertados e conquistados pelo movimento de suas mãos hábeis. Quando menino, já poderia dizer à maneira do poeta espanhol Miguel Hernandez.

“Conquistarei o mar...”

As marinhas do nosso escritor são o mar domado, conquistado pela sedução da beleza calma:

“Uma calma
Que o mar pões nos olhos
Dos velhos marujos.”

A teoria literária sempre tem aliado a poesia à música, ao canto, à dança. O ritmo como origem, a poesia deve ser música, som e audição. Esta é a corrente maior, mais forte, dominadora da maioria. Miguel de Unamuno elevou a tese proposta de que a poesia é arquitetura, construção. Tridimensional. No Brasil, o grande doutrinador é João Cabral de Melo Neto, poeta seguidor deste liame, de construção. Para mim, Dorian Gray não aliou a sua poesia à música e nem à construção, mas à pintura, sombra e luz, terceira dimensão apenas como perspectiva. Nosso mestre, Acadêmico Américo de Oliveira Costa, já notara:

“Há como que uma corrente de vinculações e identificações, uma espécie de simbiose, um sistema de vasos comunicantes, entre o verso e o desenho, que os fizeram completar-se, naturalmente, como as faces de um díptico”.

E Pedro Simões:

“Uma poesia plástica. Como conseguisse transpor para palavra escrita o preto e o branco do desenho,negando-se a denunciar o grande colorista que navega as marinhas azuis...”

Até quando ele descobre um adjetivo para a palavra “canto” não é na música que ele vai buscar “claro” e o poeta diz: “Canto um canto claro”. E depois: “deponho um canto antigo no azul”.

O poeta vê também “azul nas pontes desoladas” e “azul em mim entardecido”. Até a condição maior de existir é apresentada como “os claros e escuros da vida”.

O sempre surpreendente e homem bíblico, Acadêmico Sanderson Negreiros que é também Deodato (dado por Deus), anotou:

“Pintor de marinhas, é um dos que melhor neste País, souberam ver, transfigurar, rever e modificar o grande mar-nordestino e do mundo -, que estreita, como cão dormindo no horizonte, o sentimento que nos faz adivinhar o mistério e consumi-lo como garantia de sobrevivência, a que nos deverá ligar à vida que virá depois da morte”.

E o seu colega também no sentido marinheiro, Acadêmico Newton Navarro pontificou:

“Quantas vezes diante do mar o seu pincel descobre matizes que facilmente outro pinto não descobriria! Pinta e o mar passa inteiro para as suas telas”.

Dorian, homem da terra, natalense profissional, tem mercado garantido fora daqui. Os seus trabalhos podem ser encontrados no Banco do Brasil em Brasília, ou na sua agência de Zurique, Suíça. Um Engenheiro do Ceará-Mirim foi transportado à coleção da Casa Branca. Imaginem a emoção que tive ao deparar-me com a tapeçaria de Dorian Gray no Ministério de Ciência e Tecnologia de Bonn na Alemanha. Ou que teria um natalense ao visitar o Banco Interamericano de Desenvolvimento em Washington. Suas obras já foram adquiridas para vários museus.

Estamos recebendo o escritor, o poeta autor de “Padre Miguelinho: vida e morte”, nosso herói principal e, mártir, revalorizado pelos desenhos e pinturas de Dorian.

O seu livro “Poemas para Natal em Festa” são exaltações da nossa terra e gente, com maestria e domínio do verso.

Lendas do Rio Grande do Norte são mais do que as nossas lendas, são também os mitos, enriquecidos pela força poética.

Canto Memória é o livro de força e solidão, paisagens, homens e lembranças, dignas de serem reinventadas, pelo nosso artista.

Senhores Acadêmicos.

Seja-me permitido, como o homem é o mesmo, que eu me repita em linguagem de 1964:

Sua arte surge: poemas, tapetes, pinturas a óleo, gravuras, esculturas, bicos de pena. Todos poemas. São o instrumento de sua comunicação com o público cada vez maior. Personalidade, gente de bom gosto, artistas, colecionadores, daqui e do estrangeiro, incluem Dorian Gray na sua riqueza. Muitos não conseguem comprar os trabalhos de Dorian Gray. Ainda que ele seja disciplinado infatigável.

Dorian Gray reabilitou, revalorizou o nome famoso. Que não é pseudônimo. Outros ainda lhe farão por retrato, verdadeiro, viril, criador, que engrandece a nossa cidade.

Dorian, meu querido, seja bem-vindo ao convívio desta Academia criada por um sábio – Luís da Câmara Cascudo. Tenha forte participação nos trabalhos acadêmicos. Esta noite está mais colorida de azul pela sua emoção. Esta casa estará mais azul, também no sentido popular da palavra. Feliz.




O NOSSO PROFETA